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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Avaliação de Professores e "Legitimidade Democrática..."


Isto é um problema!... Eu que até gosto do ex-presidente Sampaio, tive hoje de o ouvir defender o Ministério e a sua actuação com o argumento da "legitimidade democrática" que pôs o PS no governo. À laia de desabafo, há duas perplexidades (preocupações?) que me obrigaram de novo a escrever:
- Será impressão minha, ou quando grandes dirigentes do nosso país começam a trabalhar no "estrangeiro" ganham uma nova forma (mais conciliadora de "Deus e Diabo em comunhão") de análise do processo político em Portugal? Acredito que "lá fora" seja outra a realidade, mas um pouco mais de tempo de permanência em Portugal e não creio que se aguente durante muito tempo esta "bonomia de análise"...
- Será cansaço e receio meu se este argumento da "legitimidade democrática do voto" permitiu por exemplo o acesso do nazismo ao poder e a sua manutenção (contra aqueles, inclusivé, que o tinham legitimado pelo voto)?...

(E, por favor, chega de especulações e mal-querenças, que eu não chamei nada a ninguém, etc., etc.... Que cansaço, todos esss atropelos de linguagem e raciocínio que por aí se vão fazendo...)

- Não decorrerá da "legitimidade democrática do voto" que, quando os eleitos, por se afastarem dos princípios ideológicos que os consagrou no governo da Nação, são "democraticamente" chamados à atenção (por manifestações, por exemplo) devem democraticamente recuar e, em nome desses princípios e de uma "pedagogia de poder" social, alterar as suas propostas de governação? A não ser assim, correríamos o risco de, um dia destes, sermos governados por uma "ditadura democraticamente eleita" e há que aprender com a História, em nome da Humanidade.

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=376406&tema=28

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O "Olhómetro"



A educação aprende-se em casa (a escola e o país aprofundam essa aprendizagem). Aprender, sempre.

Quando era miúda, ensinaram-me que se não lê o correio de ninguém, que se tem direito a um "diário com chave" e até a uma "caixinha com chave" para arrumar o que era da minha inteira privacidade. Cresci assim e continuo firmemente fiel a estes princípios básicos. É educação e é civismo, o que vem a dar no mesmo. Isto de ler os e-mails dos outros ou de controlar o telemóvel dos outros, etc., etc., só o entendo nos casos que a lei enuncia (veja-se, a propósito, o artigo do juiz Rui Rangel em http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=87EC397A-42D6-4C0D-85B0-D2CFA724468A&channelid=00000093-0000-0000-0000-000000000093 )

Veio tudo isto a propósito da ordem de "rastreio" dada pela Inspecção-Geral das Finanças aos e-mails dos seus funcionários... Acho um abuso que os mesmos não tenham sido avisados (a não ser que estejam impedidos de usar o computador do trabalho para enviar e-mails pessoais...) e, além do mais, não acredito que "quem as faz" as "faça" assim. Os "espertos" sempre o são à revelia da "inteligência" e das duas, uma: ou a sociedade pune a "esperteza" até ao limite da dissuasão, ou a premeia, fazendo "vista grossa" aos sinais exteriores de "esperteza". Se decide, à revelia da lei, "vasculhar" da privacidade de cada um, dá um péssimo exemplo de "deseducação" e gravosa "falta de civismo" que, me parece, também entra nas malhas de lei. Se o exemplo não vem "de cima", há-de vir de onde? Que se me perdoe, mas não pude deixar de pensar numa série de "hackerzinhos" informáticos a ocupar lugares cimeiros de decisão, que - já alheados do mais elementar direito à privacidade de cada cidadão - decidem utilizar o seu saber informático para fazer o papel que, antigamente, julgava atribuído à Polícia Judiciária!... Como cidadã, preferia que fosse esta ou outra força semelhante a fazer esse trabalho, em silêncio e recatadamente, e ficar-lhe-ia eternamente agradecida, porque estava a contribuir para a minha saúde e educação cívica. Muito se fala de George Orwell, mas parece que bem pouco se ligou ao seu legado "literário" (não dizem que os "artistas" estão sempre à frente, no tempo? Eu acredito)... Isto de haver um "big brother", que a "low cost" nos trata da saúde com o seu cortejo de "hackers", é...(rai's parta o inglês, mais o que isso já parece significar em termos de identidade nacional)...


Vá lá, pronto!... Fico sempre "chateada" quando falo destas coisas, mas deve ter sido da ventania e das "marés de emoções" em que, hoje em dia, se não damos conta, acabamos todos por mergulhar... E os sentimentos, caraças, e dos sentimentos?!... Estão, esses sim, em silêncio? São lugares-comuns de linguagem panfletária?... Irra, para o que havia de dar o "olhómetro"!... E eu que tanto me ri com esta expressão quando a ouvi pela primeira vez (ainda era o "olhómetro" do artista, que brincava até mais não suster a gargalhada!...)

domingo, 26 de outubro de 2008

Avaliação de Professores


Primeiro, pensei que ouvira mal; depois, achei que "eles nem as pensam!"; mais tarde, achei que "não sabem do que falam" e, claro, achei que alguém iria repor a verdade... Pois bem, talvez alguém o faça, mas não tenho tido a sorte e a saúde de o ler / ouvir... Por isso, de vez em quando, oiço estas vozes interiores "entre aspas" e, quando dou conta, estou irritada. Olha, hoje falo... e pronto!

Os professores nunca foram avaliados?!... Só agora é que vai haver uma "avaliação de desempenho" destes profissionais? Mas afinal, quem lhes conferiu nota académica senão as Universidades?...; nota profissional, senão os seus "pares" delegados à profissionalização e/ou Estabelecimentos de Ensino Superior?; nota nas "acções de formação", senão professores destacados para o efeito? Como eram eles hirarquizados nas escolas? Só pela antiguidade? Então e as avaliações científicas e pedagógicas com que concorriam serviam para quê? Ai, não era só pela antiguidade, não! Este era um dos parâmetros para "avaliar" os professores!... E quem anda por lá, sabe que é assim.

O problema é de fundo e sobre ele muito se fala... O que mais me preocupa, enquanto cidadã, é o desprestígio com que se tem anatemizado toda uma classe profissional, ou seja, o desrespeito pela "Educação", em si mesma. E tanto assim é, que agora se pretende hierarquizar os professores, em concurso, não pela sua classificação académica e pedagógica (científica, portanto), mas pela "avaliação de desempenho"... Tendo em conta o silenciamento crescente a que foi votado o Ensino Secundário (2 horas de redução para utilizar na preparação de aulas deste nível pré-universitário, para quê?!...), imagino como deve andar o Ensino Superior!... Lembro-me bem, que foi por razões idênticas que apareceu o SneSup...

Que se me perdoem os muitos hiatos explicativos, mas não vale a pena entrar em detalhes...
Por esta lógica legislativa, vamos ter médicos avaliados pelo número de doentes que "vêem" e "salvam" e juízes avaliados pelo número de processos que "despacham" e "despenalizam". Dito assim, parece absurdo. Oxalá o seja! Educação, Saúde e Justiça... "Estado Social"?!...