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domingo, 28 de dezembro de 2008

A morte saiu à rua...


Luto por uma pedagogia que não se esqueça que os rios susurram, que as aves gritam..., escreveu o professor, antes de encontrar a morte que saira à rua... Está num "post" do blogue Profavaliação, de que aqui deixo o link, bem como o da canção do Zeca Afonso que esse texto me fez recordar. Sobre o resto, não falo. Está tudo no texto de Teodoro Manuel e na letra da canção do Zeca Afonso.
http://www.profblog.org/2008/12/nossa-pedagogia-esqueceu-que-os-rios.html

http://www.youtube.com/watch?v=2yZkC3YCU20

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O que é um Professor?


Eduardo Lourenço define de uma forma simples e definitiva (para mim) o que é um Professor: o paradigma do cidadão útil e consciente de uma sociedade.

Numa altura em que tanto se fala deste grupo social é altura de o (re)definir, para que se saiba do que se fala quando se fala. E não há nada como ouvir quem está (de) fora, quem sabe, quem (se) pensa e quem não tem quaisquer interesses nas polémicas recentes, a não ser o de pensar o mundo e nos facilitar a vida pelo exercício do seu pensar. Como professora, fiquei-lhe mais uma vez agradecida por esta prenda de Natal.

Obrigada pela prenda, querido Professor! Quando for grande, também quero ser assim...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Avaliação de Professores e "Legitimidade Democrática..."


Isto é um problema!... Eu que até gosto do ex-presidente Sampaio, tive hoje de o ouvir defender o Ministério e a sua actuação com o argumento da "legitimidade democrática" que pôs o PS no governo. À laia de desabafo, há duas perplexidades (preocupações?) que me obrigaram de novo a escrever:
- Será impressão minha, ou quando grandes dirigentes do nosso país começam a trabalhar no "estrangeiro" ganham uma nova forma (mais conciliadora de "Deus e Diabo em comunhão") de análise do processo político em Portugal? Acredito que "lá fora" seja outra a realidade, mas um pouco mais de tempo de permanência em Portugal e não creio que se aguente durante muito tempo esta "bonomia de análise"...
- Será cansaço e receio meu se este argumento da "legitimidade democrática do voto" permitiu por exemplo o acesso do nazismo ao poder e a sua manutenção (contra aqueles, inclusivé, que o tinham legitimado pelo voto)?...

(E, por favor, chega de especulações e mal-querenças, que eu não chamei nada a ninguém, etc., etc.... Que cansaço, todos esss atropelos de linguagem e raciocínio que por aí se vão fazendo...)

- Não decorrerá da "legitimidade democrática do voto" que, quando os eleitos, por se afastarem dos princípios ideológicos que os consagrou no governo da Nação, são "democraticamente" chamados à atenção (por manifestações, por exemplo) devem democraticamente recuar e, em nome desses princípios e de uma "pedagogia de poder" social, alterar as suas propostas de governação? A não ser assim, correríamos o risco de, um dia destes, sermos governados por uma "ditadura democraticamente eleita" e há que aprender com a História, em nome da Humanidade.

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=376406&tema=28

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Avaliação de Professores - IV





Eu também tenho o meu "modelo de avaliação" preferido: o mais simples, o que mais confia nos professores, o que confere identidade a cada uma das escolas, o que prevê a "avaliação" rectificativa do funcionamento da escola, sempre que os seus resultados revelam problemas de aprendizagem nos exames a nível nacional; o que não pune, mas resolve, incentiva e dá condições; o que incentiva a criatividade, base do verdadeiro sucesso na vida, a todos os seus intervenientes... o que já provou - e todos os estudos o indicam - ser o de melhores resultados: o finlandês.



Não há professor que se não depare ao longo do seu percurso profissional com a subjectividade e falibilidade de todo e qualquer processo de avaliação. Como afirmou Leonardo da Vinci: "Não há coisa que mais nos engane do que o nosso juízo." (se é difícil avaliar alunos, como será avaliar colegas com maior e/ou diferente formação científica, maior experiência profissional?... ). É caso para nos perguntarmos com Dante Alighieri, no seu "Paraíso": "Quem és tu que queres julgar / com vista que só alcança um palmo, / coisas que estão a mil milhas?"





N. B. E quanto a professores de "Bom", "Muito Bom" e "Excelente", temo que os critérios sejam semelhantes aos que presidiram à selecção de professores titulares. Pergunto-me como e por quem seriam hoje avaliados/classificados professores como Vergílio Ferreira, António Gedeão ou Sebastião da Gama, por exemplo...

domingo, 16 de novembro de 2008

Avaliação de Professores - III


Finalmente, arranjei disposição para procurar informações sobre o sistema de ensino finlandês (sempre referido como o de melhores resultados) e o chileno (em que a actual e polémica avaliação de professores parece basear-se). Vale a pena confrontar os resultados da educação nos 2 países e a carreira dos professores em ambos (e a respectiva acaliação, claro!). Não há "avaliação de desempenho" na Finlândia... será que não há avaliação?!... Claro que há ( e mais não digo)... quanto ao Chile, vale a pena ver as políticas desastrosas aí seguidas, com consequências desastrosas para a Escola Pública e a Educação naquele país...


Perguntar não ofende:

1. mas afinal dão-nos como referência os resultados escolares da Finlândia e em vez de seguirmos a sua política, vamos "importar" a terceiro-mundista política chilena, com resultados comprovados de insucesso e péssimo "tratamento" dos docentes?!...

2. mas afinal regredimos agora para Esparta, onde os recém-nascidos doentes eram atirados para a morte dos muros da cidade para o seu exterior? Que é isto de penalizar professores e alunos que adoecem? Os doentes, agora, são "marginais" da "saudável" empresa pública em que o Estado se está a transformar?!...


N. B. (apetece dizer umas verdades: com tanto sofrimento infligido à sociedade - vidé desemprego, desautorização crescente das classes de professores, médicos e juízes, política ambiental - há mais que razões para se adoecer, infelizmente!). Que de uma vez por todas se entenda em sentido denotativo (e sem o humor desbragado e violento que esta política gera) que será bom que o Estado "nos trate da saúde".




sábado, 15 de novembro de 2008

Avaliação de professores - II


Tanta coisa para dizer e tão pouco o que sinto que, agora, devo escrever. Fica a referência a 2 intervenções de ontem, na TVI - jornal da noite -, que me deixaram mais calma e até acompanhada. Obrigada à Presidente do Conselho Executivo da Escola Secundária D. Maria, de Coimbra e a Vasco Pulido Valente. Ambos explicaram excelente e sucintamente o que se está a passar neste momento com a luta dos professores (mais focalizada na avaliação), nas entrevistas que deram à jornalista.
Acima de tudo: "Pela Dignidade da Profissão Docente"

N. B.
Estes nossos políticos não terão passado pela escola pública? Não têm filhos, sobrinhos, conhecidos, que tenham passado por lá? Todos frequentaram Universidades privadas? É que me indigna a falta de respeito para com aqueles que os formaram academicamente... Profissionalmente, já não sei, que "isto" decorre mais da "avaliação de desempenho", como sói dizer-se. Eles lá sabem como progrediram... Às vezes receio que, a ser coerentes com uma qualquer teoria científica em que acreditam, os legisladores façam tábua rasa de todo o seu passado e - cegos, surdos e mudos - às vozes que os alertam, sejam "fiéis" à sua nova "religião", esquecendo que a ciência é uma verdade até prova científica em contrário e que tem de estar sempre ao serviço da "Humanidade". Um dos "slogans" bem elucidativos das preocupações que devem nortear o legislador e das consequências desta legislação está bem patente num aflitivo e verdadeiro "slogan" destas manifestações: "Deixem-nos viver!". Visto a camisola do ensino público, a quem devo muito do que sou e aos muitos professores que aí me formaram, incentivaram, testaram e avaliaram para, no fim, me dizerem: "Vai viver e sê feliz"!... Este, sim, foi o grande Objectivo que eles alcançaram comigo, mesmo que, nunca o tenham assim definido, nas suas práticas lectivas. É que a Escola é a Casa também.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Avaliação de professores - I


Ontem, na Sic notícias, pelas 23 horas, assisti a um debate entre 3 ex-ministros da educação (Fraústo da Silva, Marçal Grilo e Júlio Pedrosa) e encontrei finalmente alguém que fala de avaliação da única maneira que sempre a entendi. Perguntava Fraústo da Silva (que, talvez por estar mais afastado no tempo destas lides ministeriais, tem uma leitura mais desapaixonada, racional e humana): - "Mas quem é que não gosta de ser avaliado?..."

Bastou-me esta pergunta para de repente perceber a distância a que nos encontramos da escolha de uma carreira por vocação e da saúde e felicidade que se deve encontrar no trabalho que realizamos: já longe do "tri-paliare" latino (etimologicamente: castigar com o "tri-palio", um instrumento de tortura, feito com 3 paus), o verbo "trabalhar" assumiu no tempo um sentido de "serviço", socialmente dignificante e psicologicamente compensador (desde que assumido por "vocação"). E quem tem a felicidade de assim "trabalhar", gosta de ser "avaliado" pelo "serviço" que presta.

Eu continuo a achar que os professores sempre foram avaliados (academica e pedagogicamente, em cursos, estágios, acções de formação...) e que esta toleima cega com a "avaliação de

desempenho" mascara a "visão empresarial" do ensino e, pior, da Educação. Uma escola não é uma fábrica, os que lá trabalham não são parte de "uma linha de montagem" onde se produzem milhares de "carros" com variantes tecnológicas , estéticas e económicas adaptadas às "auto-estradas do consumo"... Caiu em desuso falar do objectivo (ou finalidade maior da educação?) que é: "formar cidadãos"... Educar para a cidadania é educar para a participação social lúcida e responsavelmente. E essa tarefa maior do professor parece estar arredada da consciência desta "aldeia global" em que se transformou a "sociedade mediática, stressada e punitiva" em que se vive ultimamente. Lançam-se boatos (mentiras) sobre uma classe social, desconsidera-se o seu "trabalho/serviço" (qualquer um sabe de Educação e Ensino, mesmo que não saiba escrever: é só ver os "comentários" às notícias na internet...), desculpabiliza-se os "enxovalhos" que lhe são feitos e fazem-se-lhe outros (esgrimindo argumentos "de rua" e apelando à "avaliação contínua" dos professores pela "rua"...). Como diz o povo "Vê-se o argueiro no olho do outro, mas não se vê a tranca no próprio"... E depois chovem "ovos" na Autoridade!...

Não há maior tristeza do que não sermos justamente avaliados pelo nosso "serviço" e... de "homenagens póstumas" devia a sociedade estar farta. Gostei de ouvir o Professor Fraústo da Silva: falou pouco, como se a sua razão viesse de um outro tempo e sentisse que não há ouvidos para a sua Voz.

E porque a cultura nos torna humildes e este é um combate que todos, humanamente, temos de travar, aqui deixo a reprodução de um cartaz desta manifestação de professores: quem o souber e quiser interpretar aí encontra também o que é o subtil exercício de ser professor. Obrigada a quem o concebeu e... ao professor Fraústo da Silva (que ainda há muita gente com "2 ouvidos e uma boca") e que agradecem aos seus Professores o nunca terem levado com "ovos" pela "rua"...

domingo, 26 de outubro de 2008

Avaliação de Professores


Primeiro, pensei que ouvira mal; depois, achei que "eles nem as pensam!"; mais tarde, achei que "não sabem do que falam" e, claro, achei que alguém iria repor a verdade... Pois bem, talvez alguém o faça, mas não tenho tido a sorte e a saúde de o ler / ouvir... Por isso, de vez em quando, oiço estas vozes interiores "entre aspas" e, quando dou conta, estou irritada. Olha, hoje falo... e pronto!

Os professores nunca foram avaliados?!... Só agora é que vai haver uma "avaliação de desempenho" destes profissionais? Mas afinal, quem lhes conferiu nota académica senão as Universidades?...; nota profissional, senão os seus "pares" delegados à profissionalização e/ou Estabelecimentos de Ensino Superior?; nota nas "acções de formação", senão professores destacados para o efeito? Como eram eles hirarquizados nas escolas? Só pela antiguidade? Então e as avaliações científicas e pedagógicas com que concorriam serviam para quê? Ai, não era só pela antiguidade, não! Este era um dos parâmetros para "avaliar" os professores!... E quem anda por lá, sabe que é assim.

O problema é de fundo e sobre ele muito se fala... O que mais me preocupa, enquanto cidadã, é o desprestígio com que se tem anatemizado toda uma classe profissional, ou seja, o desrespeito pela "Educação", em si mesma. E tanto assim é, que agora se pretende hierarquizar os professores, em concurso, não pela sua classificação académica e pedagógica (científica, portanto), mas pela "avaliação de desempenho"... Tendo em conta o silenciamento crescente a que foi votado o Ensino Secundário (2 horas de redução para utilizar na preparação de aulas deste nível pré-universitário, para quê?!...), imagino como deve andar o Ensino Superior!... Lembro-me bem, que foi por razões idênticas que apareceu o SneSup...

Que se me perdoem os muitos hiatos explicativos, mas não vale a pena entrar em detalhes...
Por esta lógica legislativa, vamos ter médicos avaliados pelo número de doentes que "vêem" e "salvam" e juízes avaliados pelo número de processos que "despacham" e "despenalizam". Dito assim, parece absurdo. Oxalá o seja! Educação, Saúde e Justiça... "Estado Social"?!...